Recolha de dados

O POPA é responsável pela recolha de dados de caris científico a bordo de embarcações de pesca comercial. Para alcançar este objectivo, integramos na nossa equipa observadores aos quais é administrada formação específica (ver > downloads) e equipamento necessário ao desempenho das funções (GPS, binóculos, máquina fotográfica, computador portátil, etc). Posteriormente, os observadores têm que recolher as informações solicitadas sob a forma de formulários, previamente estruturados pelo conselho científico do POPA que inclui investigadores especializados em várias áreas das ciências do mar. Os formulários são informatizados diariamente no mar e mais tarde entregues à coordenação do Programa que se encarrega de os avaliar e corrigir.

O trabalho do observador

Desde 2015 que o POPA incluiu na sua cobertura todos os atuneiros que pescam na Região Autónoma dos Açores, desde que tenham 20 metros ou mais de comprimento (isto abrange parte da frota Açoriana mas também alguns navios da frota Madeirense).  Os atuneiros variam assim entre os 20 e os 30 metros de comprimento e possuem tripulações que podem variar entre 12 e 18 homens. A pesca geralmente ocorre entre Maio e Outubro de cada ano. Os barcos possuem uma autonomia limitada facto que impossibilita a sua estada no mar por mais de 8 dias ( geralmente permanecem cerca de 4-5 dias no mar). Por norma, o observador permanece em cada embarcação cerca de 30 dias, mudando depois para outra, de acordo com a orientação dada pelo coordenador do POPA Durante este período, o observador deve procurar integrar-se no ambiente que o rodeia ao mesmo tempo que executa as sua funções, ou seja, observação e registos. Os últimos dividem-se em grupos pré-estabelecidos que incluem recolha contínua de dados relativos à dinâmica das embarcações e recolha de informação sobre as espécies alvo da pescaria (atuns) bem como sobre as que interagem com esta actividade (cetáceos, aves marinhas e tartarugas).

Os observadores são integrados na equipa POPA através do regime de aquisição de serviços a trabalhadores independentes (recibos verdes). Têm direito a viagem Lisboa-Horta-Lisboa, alojamento (casa dos observadores na ilha do Pico e na própria embarcação) e alimentação (a bordo das embarcações), bem como seguros de acidentes de trabalho e pessoal. A disponibilidade requerida para este trabalho é total ou seja, de fim de Abril a Outubro. A remuneração mensal dos observadores de pesca do POPA na pescaria de atum é actualmente (2019) 1300€.

Os atuneiros Açorianos não pescam só nas águas da região, desenvolvendo a sua actividade noutros locais, nomeadamente nas ilhas da Madeira. O número de barcos a pescar nas nossas águas varia assim durante os vários meses da safra. Até 2018, o efectivo de observadores que compunha a equipa (8-9) procurava assegurar uma cobertura da frota o mais próximo possível dos 50%. A partir dessa data, o efectivo foi reduzido para 5 elementos, por acordo com todos os signatários do Programa, tendo como consequência percentagens de cobertura mais reduzidas no decorrer da safra.