O POPA está em suspenso, para já

Depois de termos alargado o prazo para entrega de candidaturas ao POPA até ao dia 31 de Março, encerrámos o processo com 63 candidaturas entregues. Dessas, já foram escolhidas cerca de 30 para o próximo momento de avaliação, que são as entrevistas com o coordenador do Programa. No entanto, até 31 de Abril, o processo está suspenso, devido às condicionantes a que estamos todos sujeitos no âmbito da pandemia por COVID-19. Estamos convencidos porém que vamos resistir e ultrapassar esta situação melindrosa. Esperamos voltar ao activo em breve, escolhendo a equipa de 5 observadores que em 2020 embarcará em mais uma fantástica safra de atum, nos Açores. Até (já) lá!

Tartaruga marinha (boba) recolhida para marcação pelo observador de pescas do POPA Franklin Tavares

Estudo pioneiro sobre tartarugas marinhas publicado na NATURE baseado nos dados do POPA

“Um estudo recente da equipa do projeto COSTA mostrou que a abundância de tartarugas marinhas juvenis dos Açores acompanha o mesmo padrão do número de ninhos produzidos nas principais praias de desova da costa da Flórida, localizadas a aprox. 5000 km de distância. Esta nova descoberta, publicada recentemente no Scientific Reports, proporciona novas ideias sobre a ecologia populacional destes animais carismáticos, com implicações importantes para a sua conservação.


Com base numa análise de 15 anos de dados sobre avistamentos de tartarugas juvenis oceânicas, recolhidos por observadores de pesca na região (POPA), este é o primeiro estudo a fornecer evidências empíricas sobre como o recrutamento de juvenis é controlado pela atividade de nidificação, ao invés de ser determinado pela casualidade dos efeitos climáticos, como tem sido declarado pela comunidade ciêntifica.

Esta nova descoberta é fundamental, pois pode servir de base aos novos planos de conservação desta espécie sensível. Ao mesmo tempo, o estudo fornece um novo e promissor caminho para a monitorização destas populações, pois atualmente, esta está limitada à contagem de ninhos e de fêmeas desovantes nas praias.

Devido ao ciclo de vida complexo e à maturidade tardia, entre 36 e 42 anos, os métodos anteriormente utilizados podem não permitir uma resposta rápida a impactos no início do ciclo de vida. A metodologia baseada no uso de observadores de pesca pode, assim, funcionar como um “sistema de alerta precoce” muito importante para proteger as próximas gerações destes animais fascinantes.”

Vandeperre et al. (2019) Relative abundance of oceanic juvenile loggerhead sea turtles in relation to nest production at source rookeries: implications for recruitment dynamics. Scientific reports 9:13019 ( https://rdcu.be/bQLnq )